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Eu não sou curiosa, apenas queria saber o porquê de meu pai voltar sempre com perfume de mulher impregnado em suas camisas. Apenas queria saber isto. Queria saber por minha mãe, que a cada dia caia um pouco mais em uma depressão por estar sendo traída pelo marido. Ela vivia por duas coisas, pelo meu pai e por mim. E eu como filha única deveria auxiliar minha mãe a descobrir se meu pai realmente a traía ou o que acontecia para ele voltar com cheiro de mulher em suas camisas.

Um dia qualquer eu planejo entrar no porta malas do carro do meu pai para o seguir até onde ele ia todos os dias depois do trabalho. Tudo bem que eu ficaria mais de 6h em um porta malas, mas o estacionamento da empresa que o meu pai trabalha tinha saída para um jardim muito belo, de onde vinham ventos com o frescor da natureza. Também levaria água e alguma coisa para comer, pois ficar com fome é uma merda.

Depois do almoço me despeço do meu pai e vou para o meu quarto, mas ele não sabe de nada, na realidade eu fui para a garagem pulando a janela do meu quarto com minha mochila com duas garrafas d’água e uns pacotes de bolacha recheada, também peguei meu carregador móvel para caso acabasse a bateria do meu celular eu tivesse uma saída. Entro no porta malas e aguardo ele chegar.

Meu pai entra no carro e sai de casa rumo ao seu serviço, quem sabe. A única coisa que eu sinto é o carro andando e uma leve música tocando do rádio até que chega um momento em que o carro para e sinto que ele já devia ter chegado. “Que calor meu Deus do céu! ”. Depois de ouvir a porta do carro batendo, com minhas pernas forço a “tampa” do porta malas que dava para o interior do carro; pelo menos conseguiria dar uma respirada, quem sabe abrir um pouco dos vidros.

Parecia que eu não tinha passado 6h dentro daquele carro, e sim umas 48h de tanto cansaço que eu fiquei. Quando meu pai entra no carro e parte rumo a algum lugar eu já estava pensando em desistir até ouvir ele falando no celular com alguém... “tá bom linda, já tô quase aí”. Agora sim as coisas iriam melhorar, eu iria conseguir descobrir o que realmente acontecia. O carro para, uma porta se fecha e ouço palavras abafadas. 

Ouço meu pai falando, já que a voz dele se sobressaia sobre a do passageiro ou passageira, ainda não sabia: “já estamos quase chegando, daí podemos ficar mais à vontade”.

O carro para, portas se fecham e então levanto um pouco da tampa do porta-malas e espio furtivamente. Lá estava ele, no meio de um canavial, com uma moça que parecia ter em torno de uns 25 anos, não me lembro muito bem. Eles ficavam conversando, se abraçando, trocando caricias, então chega um momento em que meu pai segura o seu pescoço com as duas mãos e fica acariciando o local, até que vejo ela se debatendo: meu pai estava a enforcando.

Naquela hora tive duas descobertas: primeiro, meu pai além de infiel era assassino; segundo, deveria ter levado um Rivotril da minha mãe e naquele momento tomar, e depois pensar que tudo aquilo foi apenas um sonho. 



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2 comentários:

  1. Texto legal, cara. Haverá uma continuação?
    Comecei a pouco tempo uma série no blog. Da uma olhada depois:
    http://ensaiosdeironia.blogspot.com.br/2015/11/mariana-l.html#more

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    1. Infelizmente não Marcos, toda semana vai ser um texto com um tema da lista que falei em um post anterior. Pode deixar que entrarei para ler essa tua série!
      Abraço.

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