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Fui demitido a um mês, só tinha o dinheiro para necessidades básicas e só isso também. Sair no final de semana? Nem pensar, comer alguma coisa fora de casa? Nem pensar também. Só tinha como arcar com uma coisa que era e é muito importante para mim e para minha vida: o francês. O inglês eu já era fluente, mas precisava do francês para conseguir um emprego em uma multinacional francesa que tinha representante na minha cidade.

Eu fazia francês nos sábados de manhã, no centro da cidade, em uma rua cheia de árvores chamada Avenida das pitangueiras. Gostava muito de lá, nesses momentos difíceis era muito bom passar por lá, me trazia uma certa inspiração e vontade de seguir em frente, de melhorar. Ao sair do francês me despeço da professora e sigo meu trajeto que sempre fazia. Nesse trajeto, na mesma rua, havia uma padaria, frequentada apenas pelos moradores vizinhos.

Nessa manhã, eu não tinha tomado café da manhã como sempre tomava, apenas comi algumas bolachas água e sal e um copo de água. Estava com fome, e o cheiro que aquela padaria transpirava me deixava mais com fome ainda. Comecei a tentar reprimir a fome, mas quando me dei conta eu já estava dentro da padaria com um sanduíche na mão.

Naquele momento parecia que tudo tinha parado e era somente eu e o sanduíche, me sento em uma mesa na frente da padaria, tiro o sanduíche da embalagem e desembrulho-o do plástico filme. Seguro-o com as duas mãos, e dou uma mordida, parecia que meu corpo estava clamando por algo assim, fora da rotina. Eu podia sentir a textura macia da massa aerada do pão, o sabor da manteiga temperada com ervas, o sabor do presunto parma, da fatia de queijo artesanal.

Comi aquele sanduíche com tanta vontade, que acredito que ele tenha sido o melhor sanduíche que eu comi em minha vida, tudo bem que eu só tenha 26 anos, mas já comi muitos sanduíches. Me dirijo até o caixa onde está a dona da padaria, uma senhorinha que deveria estar com uns 70 anos para mais.

- Estava bom o sanduíche? – Ela me diz com um sorriso que somente os idosos sabem dar.
-Estava ótimo, o melhor que já comi.
-Que bom, são 6 reais.

Pago-a, me despeço e vou continuar o meu trajeto para casa, agora não vou mais pegar ônibus, já que gastei o dinheiro do ônibus com o sanduíche..., mas bem que se for parar para pensar foi um dinheiro bem gasto, e as calorias que eu queimaria na longa caminhada até minha casa também.




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8 comentários:

  1. Gostei muito do seu texto, não pensei bem na forma que está escrita. Mas, não sei, de um jeito análogo, faz transmitir uma mensagem que devemos abrir mão de algumas coisas para alcançar os nossos desejos. E o "sanduíche" pode ser substituído por muitas outras coisas.
    http://letrasfloresecores.blogspot.com.br/

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    1. Sim, essa que foi a mensagem mesmo. Obrigado pela visita!
      Abraços!

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  2. Olá!
    que texto banaca, Gabriel!
    Isso é verdade, as vezes deixamos de fazer uma coisa que queremos por tanto naquele momento, por pensar em outros que sejam mais importantes para um futuro.
    Só que aquele momento, naquela hora, o mais importante era o "sanduiche" e o melhor é saber curtir e viver!

    Gostei.
    Adoro seus textos.
    Obrigada pelas suas visitas.
    Sempre respondo seus recadinhos viu?!

    Boa semana pra ti.

    Beijos

    www.maricotacaradericota.com

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    1. Tu captou muito bem a ideia central do texto, era isso mesmo que eu queria passar. Ah, obrigado pelo elogio, eu também agradeço pelas tuas visitas!
      Abraços!

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  3. Belo texto Gabriel!
    Como sempre neh? Você sempre arrasa!

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    1. Obrigado Gi, eu tento, mas acho que dá pro gasto.
      Obrigado pela visita!
      Abraços!

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  4. Ei, Gabriel! Parabéns pelo texto, ficou bem bacana. Você foi indicado em uma TAG lá no blog! Espero que goste :D
    http://minhasecretapoesia.blogspot.com.br/2015/12/tag-de-tudo-um-pouco.html

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    1. Obrigado Karen, e obrigado por me indicar na tag!
      Abraços e obrigado pela visita!
      Meu Deus, quantos "obrigado" kkkkkkkk

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